Mesmo sem novidades, primeiro capítulo de “Vale Tudo” supera as expectativas

A grande aposta das comemorações dos 60 anos da TV Globo estreou, enfim, na noite de ontem: o remake de Vale Tudo. Escrito por Manuela Dias e dirigido por Paulo Silvestrini, o primeiro capítulo finalizou com reações positivas de boa parte dos usuários das redes sociais. Bora conferir também a análise do Nosso Drama?

Começamos destacando o óbvio: é o primeiro capítulo. Então, é claro que muitas alterações e acomodações ainda acontecerão durante a produção. Ainda não é possível fazer considerações sobre as criações da autora Manuela Dias, que seguiu à risca o primeiro capítulo original. Escrito por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, o capítulo inicial de 1988 é tão completo, apresenta o conflito principal com tanta maestria, que seria um equívoco mexer nisso logo no início. Ainda assim, pudemos perceber algumas alterações pontuais, como na cena em que Raquel revida o tapa dado por Rubinho (Júlio Andrade, em promissora participação). Alteração pequena, mas que funcionou.

Renato Goes e Carolina Dieckmann em Vale Tudo

Uma ou outra atualização necessária de texto também foi realizada, mas, no geral, a autora apenas substituiu algumas falas por outras parecidas. Houve, sim, um trabalho textual, mas que soou quase como uma espécie de tradução do texto original. Uma pena que nestas escolhas, na maioria das vezes, a opção definitiva pareça mais simplificada, menos elegante.

Taís Araújo mostrou, já nas primeiras cenas, ser a força motriz desta adaptação. Sua escalação é uma das mais acertadas em se tratando de remakes dos últimos anos. Há um resquício de Regina Duarte – elogiada por sua entrega na Vale Tudo original – unido à grande força e personalidade de Taís. Tudo se encaixa. Um primeiro capítulo de novela é ainda um tiro no escuro. Não há qualquer recepção de público ou crítica, tudo o que será desenvolvido durante mais de 150 capítulos está ainda nas primeiras páginas. É comum que protagonistas e vilões comecem uma novela ainda tentando se encaixar, tentando encontrar o tom. Mas Tais parece estar construindo esta personagem há tempos. Parece já estar confortável com sua Raquel.

Bella Campos dividiu opiniões, mas teve uma recepção bem mais positiva que aquela após as chamadas da novela. Particularmente, ainda acho sua escalação questionável, mas não podemos negar que a performance no capítulo superou as cenas promocionais. Ainda há uma instabilidade na construção de sua Maria de Fátima. Quando tenta entregar dissimulação, interesse e manipulação, soa forçada. Mas em cenas rotineiras, em diálogos e debates com a família, quando finalmente solta a voz e é a Maria de Fátima “de verdade”, mostra que tem potencial. A cena com o avô Salvador no café da manhã (Antônio Pitanga, em participação afetiva muito acertada), mostrou que a atriz não é o pavor todo que foi pintado na internet. Isso evidencia que, mais que um problema da atriz, há também um problema de direção.

A direção de Paulo Silvestrini, aliás, se mostra segura e pouco ousada. Algumas simplicidades e comodismos vão contra o status de mega produção que a emissora quer carimbar neste remake de Vale Tudo. Não há nada que chame a atenção ou que mereça um grande destaque. O efeito de câmera tremendo na cena entre Taís Araújo e Júlio Andrade, por exemplo, destoou do restante da novela. O recurso já batido fez lembrar outras produções mais dramáticas como a própria Amor de Mãe (escrita por Manuela Dias e dirigida por José Luíz Villamarim).

Cauã Reymond em Vale Tudo

Em geral, as cenas totalmente inéditas foram poucas. Deixa no espectador a impressão de que ele já tinha assistido a todas aquelas cenas através das chamadas. Para aqueles que esperam algo próximo da versão original, não há o que reclamar. O ritmo e o tom adotados foram bem próximos dos da versão de 1988.

Ainda que sem novidades, o primeiro capítulo de Vale Tudo superou as expectativas, muito pela presença de Taís Araújo e pela proximidade com a obra original. Há alguns ajustes necessários, que devem acontecer com o andar da trama – o que não é exatamente um grande problema. Foi um primeiro capítulo promissor e que mostrou que Raquel Accioli pode ser um dos papéis mais marcantes da já brilhante carreira de Tais.

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