A novela A Nobreza do Amor estreou com altas expectativas na Globo. Vendida pela emissora como a primeira trama a ambientar um país africano com personagens negros em posições de poder, vivendo na realeza entre princesas, reinos e riqueza, a novela estreou na última segunda (16), substituindo Êta Mundo Melhor!. A produção reúne um time de ouro: Duca Rachid, Elísio Lopes Jr e Júlio Fischer assinam a autoria (batizados de “o trio perfeito” nas redes sociais), enquanto Gustavo Fernandez, diretor das aclamadas Pantanal e Renascer, assume a direção. A obra traz ainda o primeiro vilão da consagrada carreira de Lázaro Ramos, além de Duda Santos no protagonismo, consolidando-a como um dos maiores lançamentos da emissora nos últimos anos. Tudo parece pronto para dar certo, mas será que o capítulo inicial realmente empolgou?
É fato que os autores são mestres na criação de universos, visto que todas as suas novelas possuem uma ambientação muito bem definida, com regras próprias e certas ousadias em seus enredos. Duca Rachid, ainda em parceria com Thelma Guedes, esteve à frente de Cordel Encantado, Joia Rara e Órfãos da Terra, que foram três sucessos comerciais e artísticos da emissora, independente da audiência. Mais recentemente, o trio foi responsável por Amor Perfeito, obra que recebeu muitos elogios da imprensa. Nesse sentido, A Nobreza do Amor parece ser o momento ápice do grupo, ao unir a ousadia com a originalidade proposta pela temática.

Com efeito, o roteiro proposto é bastante inovador ao apresentar uma princesa que, refugiada, tenta recuperar o seu reino do tirano que a exilou. Os autores constroem um vilão que não quer apenas poder ou simplesmente é obcecado por um amor, mas que deseja as duas coisas simultaneamente. O primeiro capítulo funciona quase como um prólogo, pois mostra com detalhes a coroação do Rei Cayman II (Welket Bunguê) e finaliza com a princesa Alika (Duda Santos), já adulta, tendo uma espécie de presságio com seu príncipe.
Embora apresente algumas cenas no Brasil, o foco do capítulo é Batanga, cuja ambientação chama muito a atenção do telespectador. Batanga é um país fictício que reúne elementos estéticos de diferentes nações africanas, além de referências brasileiras. Cenários, locações, figurino, direção de arte e fotografia imprimem a identidade de um país inventado que impressiona pela riqueza de detalhes. Neste contexto, a direção de figurino e de fotografia merecem um destaque a mais. Esteticamente falando, A Nobreza do Amor é, sem dúvidas, uma das mais bonitas novelas da emissora nos últimos anos.
No que diz respeito ao elenco, Duda Santos já não precisa provar nada. A atriz ganha destaque em tudo o que se propõe e mostra o seu diferencial enquanto princesa destemida já em sua primeira cena. Mesmo com o rosto encoberto, ela já é Alika. Sua presença e beleza trazem o carisma necessário para uma história que envolve muita política e questões históricas. Lázaro Ramos, no primeiro vilão de sua carreira, já mostra potencial para gerar cenas emblemáticas, embora no primeiro capítulo se restrinja à figura clássica do parceiro invejoso. A figura magnética de Welket Bunguê explica por si só a sua escalação como um rei; uma pena que o ator ficará pouco tempo na trama. Ronald Sotto, por sua vez, apareceu pouco, de modo que ainda não é possível visualizar o tom de seu personagem.

Quanto ao roteiro, A Nobreza do Amor começa bem, mas de forma contida. O gancho escolhido para o final do capítulo não demonstra a potência da história que vem pela frente, o que pode levar quem não conhece toda a premissa a se questionar se a trama possui fôlego para 200 capítulos. A cena de Alika sonhando com um príncipe não nos diz muita coisa, principalmente por não revelar quem é o tal príncipe – que todos sabemos ser Tonho (Ronald Sotto). A fala “será que ele vai me livrar desse casamento arranjado?” diz pouca coisa, visto que a trama da novela como um todo é muito mais que isso. Ainda que o primor da fotografia nas dunas do Rio Grande do Norte seja uma imagem suficientemente épica, um primeiro capítulo necessita de uma cena final mais memorável, criando a expectativa por toda a trama que vem pela frente.
Em suma, A Nobreza do Amor chega para trazer potência, beleza, representatividade e afeto. Conhecendo a trajetória dos envolvidos, a expectativa por uma obra consistente e bem-amarrada é alta. Que venham os próximos capítulos e o aprofundamento dessa história que promete ser uma das mais belas da faixa.
Nota: 4.5 / 5.0
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